Opiniões Proféticas

terça-feira, outubro 05, 2010

Coniff - Auxílio estratégico!


Saudações. Conniff’s Rückkehr.


Permitam-me uma breve introdução. Faz um bom tempo que não escrevo um texto qualquer que não tenha relação com Direito. Nem meu simplificado diário pôde sobreviver à agenda. Da mesma forma, faz igual tempo que não leio nada não jurídico, exceto algumas revistas, a ZH e uma meia-dúzia de blogs, contando o do Boing. Nos últimos três finais de semanas, estive em três Capitais diferentes, fazendo três provas diferentes, com gafanhotos distintos. Quando isso tiver fim, prometo lançar um guia de aeroportos e de bares para se tomar um chopp após uma prova. É uma correria, mas, é bom que se diga, está tudo bem. As palavras devem estar emboloradas, por isso clamo por paciência.


Minha missão, contudo, é uma só. Auxiliar Diógenes a conquistar as profundezas do infernum. Não que ele precise de conselhos. Dias atrás, antes de uma prova, pude jogar Civilization IV, ah, coisa boa a estratégia, conquistar civilizações e tudo mais. Centremo-nos no Inferno, contudo.


***


Saulot é preguiçoso, só que isso não é e nunca será impeditivo ao sucesso, seja na Terra, seja no Inferno, seja no mar, uma vez Flamengo. O que é definitivo é lamber as bolas certas. O Thundercat aquele merece cuidados, parece ser o mais forte. O Tsotha-Lanti tem um nome demasiadamente complicado, chamá-lo-ei de Gabiru, que é outro que terá morada eterna no inferno, um pérfido demônio vermelho de muita, muita sorte. Pois então, o Gabiru esse vai entrar em guerra com o Thundercat. Tu tens que ser que nem o PMDB nesta história toda, o importante é não parecer tão fraco a ponto de ser uma presa fácil e nem tão poderoso a ponto de ser, digamos, uma ameaça real.


Baseado nos meus prévios jogos de Warcraft, eu te atacaria, tu com recursos é um belo problema.


Acho que tu deves colocar teu general chifrudo para trabalhar. Manda-o para o Gruta Azul. Arruma umas legiões e vai te dirigindo ao local do conclave, pois, se minha analogia é válida, tu tens que ser que nem o PMDB e não largar o osso do cara que vai ganhar a eleição, a Dilma do teu Inferno. Coloca uns cartazes por lá, lança o Tiririca de abestado para o conclave, sei eu. O Saulot parece ser bastante carismático, quase um Raul Gil do Inferno. Saberás utilizar tal atributo com parcimônia.


No inferno, todos os seres são auto-interessados ao máximo, o que os torna, de certa maneira, previsíveis. A traição chega até a ser esperada porque não se pode esperar qualquer grandeza moral de um líder do inferno. A questão é administrar os recursos a ponto de não se tornar um fraco aos olhos de todos. Se bobear, pega o chifrudo e marcha para o Garden do sei lá o que, porque, em breve, o pessoal vai te cobrar impostos e sem caixa dois o Saulot vai virar fumaça. Cuida bem do teu livro das profecias, -pow, Saulot, só tens uma porra de livro velho e um general guampudo???- acho que tu vais ter que conseguir um tacape em breve para dar para o chifrudo, pois o bicho vai pegar.


Era isso. Acredito no amigo, Saulot tem tudo para sair desta como Lorde máximo dos infernos, no conclave será caixa. Cuidado com o Gabiru, nada de bom sairá dele.


Aguardo as novidades do jogo, já que o estudo me impede de sequer narrar as minhas. Abraço aos digníssimos amigos!

segunda-feira, setembro 20, 2010

Diógenes - Solium Infernum (parte 2)

Olá, amigos.

No último post relatei o início da batalha contra os demônios Tsotha-Lanti e Thundersteel pelo trono do inferno no jogo Solium Infernum. Neste post, relatarei o que ocorreu entre o turno 2 e o turno 11.


Como contei no último post, alguém adquiriu no bazaar infernal o artefato "Infernal Engine" (visto acima), que confere um bônus considerável ao poder da legião que o utiliza. Um turno depois, minha suspeita foi confirmada: a legião de Thundersteel, que já era bastante poderosa, passou a ostentar o artefato.

Por sorte, meu oponentes passaram estes primeiros dez turnos marchando com suas legiões. Mover uma legião no mapa consome uma ação, e é muito difícil que meus oponentes tenham começado com mais do que dois "Order Slots" (cada Order Slot permite realizar uma ação). Ou seja, como eles ficaram ocupados marchando, não tiveram tempo para fazer muitas outras coisas. Imagino que tenham tentado acumular tributos.

O destino das legiões foi diferente do que eu esperava. Eis os trajetos:


Ou seja, Thundersteel marchou com a sua legião para a ilha ao noroeste, tomando o Lugar de Poder (LdP) cujo nome é "Citadel of Wrath" (no mapa, "1"). Depois, sua legião continuou marchando para o noroeste, tomando o LdP "The Face in the Sand" (no mapa, "2"), finalmente parando perigosamente perto da fortaleza e das terras de Tsotha-Lanti (no mapa, um "A" verde").

Enquanto isso, Tsotha-Lanti marchou para o norte, em direção ao Lugar de Poder "The Face in the Sand" (no mapa, "2"). No entanto, ele ignorou este LdP e, atravessando uma ponte perto do meu território, rumou para o LdP "Pillar of Skulls" (no mapa, "3"), que conquistou. Depois continuou marchando para o oeste e atravessou outra ponte, virando para o sul. Sua legião atualmente está no hexágono marcado por um "A" azul. Tudo indica que ele está marchando para o último LdP, "The Garden of Infernal Delights" (no mapa, "4").

Enquanto isso, eu segui meu plano de não marchar com a minha legião. Saulot é "Preguiçoso" e acha esse negócio de marchar muito cansativo - suas legiões só se movem 1 hexágono por turno. Mas eu não fiquei parado sem fazer nada. Enquanto os meus oponentes passeavam por aí, adquiri os recursos necessários para comprar um artefato, The Lemegeton Seal, visto abaixo, que me confere um bônus em Prophecy. Como comentei anteriormente, Prophecy é a habilidade ligada ao atributo Intellect que serve para me proteger de possíveis rituais de Deception, que roubam tributos.


Além disso, consegui contratar um pretor - Haagenti, visto abaixo - e aumentar os atributos de Saulot (mais especificamente, Intellect e Martial Prowess, o atributo que me permite criar cartas que conferem bônus de poder para as minhas legiões).


Infelizmente, Haagenti não será suficiente para derrotar a legião de Thundersteel. Além disso, o aumento dos atributos de Saulot não foi suficiente para aumentar o meu número de Order Slots. Ou seja, apesar de ter avançado um pouco, estou longe de conseguir estabelecer minha posição nesta guerra. O que preciso, ainda, é de pelo menos mais um ponto de Carisma, mais dois pontos de Intellect e mais três pontos de Martial Prowess. E isto, meus amigos, sairá caro. Muito caro.

Ao final da primeira dezena de turnos, eu continuava obtendo e gastando recursos. E então, Thundersteel adquiriu uma nova legião, The Lords of the Pit, capaz de voar três hexágonos por turno, por cima de quaisquer obstáculos do mapa. O engraçado é que Thundersteel fez exatamente o que eu queria fazer: ele utilizou uma legião voadora para tomar a única ponte que permite acesso a Pandemonium, a cidade capital do inferno (no mapa, "5").

Mesmo tendo acumulado mais recursos do que os outros jogadores, eu falhei ao definir minhas prioridades. No momento que precisei comprar tal legião voadora, ela já não estava mais lá!

Agora Thundersteel possui um pé em Pandemonium. Mas o que isto significa? Simples: se um jogador toma Pandemonium, e consegue manter-se nela por cinco turnos, ele vence o jogo. Por outro lado, todos os oponentes podem atacá-lo livremente. Obviamente, meu interesse era tomar aquela ponte para impedir que Thundersteel e Tsotha-Lanti vencessem o jogo pelo caminho bélico - pois Saulot King Maker só pode vencer o jogo se Tsotha-Lanti subir ao trono através de uma votação do conclave do inferno, que ocorre justamente em Pandemonium...

Qual é então o interesse de Thundersteel em Pandemonium? Será que ele deseja tomar Pandemonium de assalto? Será que ele bloqueou a ponte apenas para que Tsotha-Lanti não tivesse acesso à cidade do conclave? Ou será que um dos meus oponentes já sabe que eu sou um King Maker? Dúvidas, muitas dúvidas.

Sem ter mais nenhum LdP para disputar, e sem ter nenhum lugar para onde marchar com suas legiões, meus oponentes passaram a ter 2 Order Slots para dedicar a sacanear os outros jogadores. E então, no turno 10, aconteceu o que já era esperado: Thundersteel resolveu exigir recursos de Tsotha-Lanti. O Marquês ficou com duas opções: entregar os tais recursos ou negar o pedido, dando a oportunidade de Thundersteel declarar uma guerra de Vendetta.

O inesperado foi a reação de Tsotha-Lanti, pois mesmo tendo a primeira legião de Thundersteel no lado do seu território, ele se recusou a entregar os recursos, colocando-se na mira do poder militar superior de Thundersteel.

Uma decisão temerária... Será que Tsotha-Lanti possui uma carta na manga?

Descobriremos na próxima atualização, que contará sobre o intervalo do turno 11 ao turno 20.

quarta-feira, setembro 15, 2010

Diógenes - Solium Infernum (parte 1)

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Olá, meus amigos.

Comecei a jogar um jogo de computador muito interessante. Trata-se do jogo Solium Infernum, onde se assume o papel de um demônio que disputa o trono do inferno!

O jogo em si é semelhante a um jogo de estratégia de tabuleiro. A cada turno, podemos realizar um determinado número de tarefas, por exemplo, mover legiões ou enviar insultos aos oponentes.

Recentemente decidi jogar uma partida multiplayer com dois camaradas. Nesta modalidade, os turnos são enviados aos oponentes por e-mail, então o jogo deverá se estender por um ou dois meses.

Como o blog está meio parado, resolvi fazer um diário da minha partida. Sr. Coniff, conto com seu apoio para traçar boas estratégias para esta guerra.

Início

A primeira tarefa neste jogo é criar um avatar - o demônio com o qual tentarei tomar o trono do inferno. Este é o meu avatar, que chamei de Saulot.


Para criá-lo, tomei algumas decisões estratégicas. Primeiro, eu o fiz carismático, para que possa acumular tributos mais facilmente. Tributos são essenciais para realizar rituais demoníacos, pagar legiões, pretores, etc.

Segundo, e mais importante, é as seguintes palavras: "King maker". Trata-se de uma característica positiva extremamente custosa, que consome quase todos os pontos que posso utilizar para criar meu personagem. Com a característica King maker, eu escolho algum outro jogador e, se aquele jogador vencer o jogo, na verdade, EU venço o jogo. Mais sobre isto, mais adiante.

Terceiro, meu personagem é um Marquês do inferno. Acima dele estão Princípes e Duques, e abaixo, Barões e Lordes do inferno. Ou seja, uma posição social mediana. Esta posição social é importante para a diplomacia. Por exemplo, quando um príncipe é insultado por um marquês, o impacto é muito menor do que, digamos, quando um marquês insulta outro marquês.

Quarto, para fechar o custo do meu personagem, tive que pegar uma característica negativa, "Slothful", ou seja, preguiçoso. Tal característica faz com que minha legiões se desloquem apenas um hexágono por turno, ao invés do normal, que é dois hexágonos. Isto já quase determina que eu não vou passear muito com as minhas legiões, pois isto seria extremamente ineficiente.

Após criar meu personagem, enviei o arquivo por e-mail para o "host" do jogo, ou seja, para o camarada que está organizando a distribuição dos arquivos do jogo.

Fast forward. Próximo dia.

Turnos 1 e 2

No dia seguinte, recebo a resposta. Trata-se do primeiro turno, enviado pelo host. Para minha surpresa (mas não tanta), o turno vem acompanhado de um "flavor text", que reproduzo abaixo.

"Dementia, rainha do inferno, foi devorada por uma de suas muitas crias, Sangricius. Por seu ato contra a corte, Sangricius foi condenado ao banimento no abismo. Não que irá fazer a menor diferença para tal criatura pois a prole de Dementia, apesar de ter o sangue mais poderoso do inferno em suas veias, é incapaz de pensar ou raciocinar.

Dessa forma foi reconstituído O Conclave, um órgão formado por representantes das casas mais nobres que tem como atribuição comandar o inferno na ausência de um líder enquanto escolhe um novo governante. O caminho correto seria apontar uma das crias de Dementia, porém se tornou pacífico entre os membros do Conclave que tais seres tolos e bestiais não eram aptos para tal tarefa.

Um ar de apreensão dominou Pandemonium, capital do inferno, pois o Conclave não possuía um nome incontestado para governar. Apreensão para uns, oportunidade para outros..."

Interessante. Abro o arquivo do turno, dentro do jogo Solium Infernum, e vejo o mapa:


Notem que o mapa é contínuo; de forma que a borda direita está "colada" na borda esquerda, e a borda inferior "colada" na superior. Para facilitar a visualização, marquei com um quadrado (em cinza) o tabuleiro. Ao redor disto, notem que as coisas se repetem.

Pois bem. Para o nordeste de minhas terras (que marquei em vermelho) está uma ilha que separa as terras de Tsotha-Lanti (em azul) e Thundersteel (em verde), os outros dois demônios que participarão desta guerra. No sul se vê uma imensa planície, marcada apenas por alguns pântanos e por algumas montanhas intransponíveis.

Um dos objetivos deste jogo é tomar os chamados "Lugares de Poder" (Places of Power), que a cada turno conferem "Prestígio" aos jogadores que os possuem. De fato, o vencedor deste jogo é aquele que, ao final de cerca de 60 turnos, tiver a maior quantidade de pontos de Prestígio. Não só isso, Prestígio é a moeda utilizada para fazer ações diplomáticas, como exigir tributos dos oponentes, enviar insultos, etc.

Seria legal dominar alguns Lugares de Poder (LdP). No entanto, se vocês observarem o mapa, eu estou razoavelmente distante de todos os LdP, que são os hexágonos ocupados por monumentos como torres, árvores, etc. E eu estou ainda mais distante dos LdPs do que meus oponentes imaginam, pois devemos lembrar que minhas legiões só se deslocam a um hexágono por turno, porque Saulot é preguiçoso.

Aliás, quem são meus oponentes?

Tsotha-Lanti é um marquês do inferno, como eu. No entanto, ele parece ter tido um pouco de azar com sua legião inicial, que é mais fraca do que a minha. Conhecendo este jogador, ele terá colocado alguns pontos em "Cunning / Deceit", que é a característica que permite sacanear os demais jogadores - roubar tributos, subornar pretores, e por aí vai. No entanto, se ele é apenas um marquês, no que terá colocado todos os seus outros pontos...? Estou curioso. Sei que este cara é paciente e, por isso, perigoso. Tenho que tomar cuidado.

Thundersteel é um duque do inferno, superior a mim em status no inferno. Além disso, o status confere um bônus na criação da legião inicial. Pois a legião dele deve ter recebido um belo bônus, pois ela é mais poderosa do que a minha, e MUITO mais poderosa do que a legião de Tsotha-Lanti. Eu realmente não sei no que ele pode ter gastado seus pontos de personagem, mas vou chutar que é um demônio caristmático (para ganhar tributos) e marcial (para utilizar "cartas de combate", que são coringas que podem ser adicionados a uma legião antes do combate). Não sei se ele será um bom jogador, mas trata-se de um cara inteligente, que já começou com uma arma superior nas mãos... Cuidado, Saulot. Cuidado.

Pois bem. Diante destes dados, eu decido que não vou levar minhas tropas a lugar algum. Não seria construtivo perder tempo fazendo isso. Ao invés disto, decido acumular tributos, que poderei utilizar no futuro para comprar novas legiões e, quem sabe, aumentar as características do meu demônio.

Lembrem-se, eu estou jogando a longo prazo. Sou um King maker e, por isso, não preciso vencer. Só preciso me assegurar de que Tsotha-Lanti vença a guerra. Para tanto, preciso me tornar poderoso - poderoso o suficiente para influenciar os rumos da guerra. E então, EU subirei ao trono.

Minha preocupação, por enquanto, é que Tsotha-Lanti pode tentar roubar minhas cartas de tributos. Isto seria terrível, pois eu ficaria totalmente sem defesa. Preciso aumentar meu nível na habilidade "Prophecy", que ajuda na defesa contra ataques de "Deceit".

Uma segunda preocupação é que Thundersteel pode começar a me insultar e/ou fazer exigências, e eu poderia fazer muito pouco para me defender, já que ele possui uma legião mais poderosa. Além disso, logo no primeiro turno alguém comprou o artefato demoníaco "Infernal Engine", que confere +2 em ranged, melee e infernal, os três atributos que determinam o poder de uma legião. Se for Thundersteel quem comprou tal artefato, então o problema apenas aumentou...

No segundo turno, eu continuei acumulando tributos. Tsotha-Lanti começou a deslocar sua legião na direção de um Lugar de Poder na planície ao sudeste das minhas terras, e Thundersteel move sua legião para o sudoeste, também para a planície...

Enviei então o seguinte "flavor text", descrevendo meu demônio:

A poeira cinzenta levantada pelos ventos uivantes do inferno logo ficou para trás.


Kobal, demônio da zombaria, abriu o pesado portão de pedra e adentrou ruidosamente o grande salão de audiências da pirâmide de Saulot - uma câmara sombria demais, e grande demais também, considerando-se o tamanho da construção. Tudo ali lhe desagradava. Pois se a fortaleza fosse sua, o espaço seria melhor utilizado. Teria amplas salas de tortura e muitas alas para alojar soldados. Faria deste templo de vaidades e aparências uma verdadeira fortaleza.


Talvez esta fortaleza ainda fosse sua... Talvez. Algum dia.


Saulot, o amaldiçoado por Aquele acima, estava sentado no trono dourado que pertencera ao anjo da morte, Samael... Como sempre estava. E o quão entediado ele parecia estar, desfalecido, com o rosto apoiado em um punho.


"- Meu Senhor, Dementia não é mais rainha." - anunciou Kobal após limpar a garganta, atento para a reação de seu Senhor. Seus olhos percorriam o rosto e o corpo esverdeado de Saulot, como se o estivesse medindo, avaliando.


"- Ah...?" - respondeu o Marquês do inferno, com uma expressão que era um misto de tédio e escárnio.


"- Ela foi devorada por Sangricius. Como esperado, ouso dizer. Ela foi uma tola. Se deixou ser consumida durante uma relação incestuosa. Muito sangrento, muito sujo... Muito feio, sim, sim." - comentou Kobal, sorrindo com seus dentes tortos e mal-formados, seu olhar pairando no nada, apenas balançando a cabeça afirmativamente para si mesmo, divertindo-se com seus pensamentos... Nervoso.


Saulot ergueu o rosto, até então apoiado sobre o punho, e por um instante se poderia jurar que estava a um passo de se jogar como uma fera sobre Kobal, para arrancar o sorriso de seu rosto e matá-lo. No entanto, ele se deixou deslizar languidamente pelo trono dourado, suspirando, como se o ato de se mover fosse extremamente desconfortável. Seus olhos fitaram os de Kobal, fulminantes.


"- Ora, não seja insolente. A vaca-mãe podia ser obscena e, dizem, louca, mas EU sei a verdade. Ela podia ser qualquer coisa, menos tola." - Saulot fechou os olhos, como que lembrando de algo, e então voltou a abri-los, sua voz crescendo, assim como sua raiva. "- Obviamente, alguém descobriu que ela era para mim um afrodisíaco... Que ela vinha aqui para voluptuosamente descansar sua cabeça no meu colo, para me falar por horas e horas as palavras incompreensíveis que outros, verdadeiros tolos, diriam ser as semente da loucura. Alguém decidiu agir de forma grosseira! Para quebrar meu brinquedinho!"


Aquelas palavras ecoaram pelo salão, e um longo silêncio persistiu. Mas Kobal novamente quebrou o silêncio.


"- Meu Senhor, eu compreendo que você está muito chocado e enternecido por es..." - dizia Kobal até ser interrompido.


"- Cuidado, 'verme' da zombaria... Cuidado." - rosnou Saulot.


"- Me perdoe, Meu Senhor. Não foi minha intenção, absolutamente, ser desrespeitoso com Vossa Obscurecência. Eu queria apenas lembrá-lo que esta situação, apesar de muito trágica, oferece uma grande oportunidade. E por que não marchar para Pandemonium com vossas insuperáveis legiões e tomar o Conclave de assalto?" - sugeriu, sorridente, o demônio da zombaria.


Subitamente, Saulot arremessou um cálice na direção de Kobol, que cobriu o rosto com as mãos e gemeu como uma menininha.


"- Seu idiota! Não é assim que as coisas funcionam. Você acha que Thundersteel e Tsotha-Lanti ficariam parados? Teríamos então exércitos diante dos nossos portões, apunhalando-se noite a dentro nesta noite perpétua que paira sobre inferno. Não, seu idiota! O decoro deve ser observado. A ordem deve ser mantida!

Eu aprendi sobre a corte celestial e a corte infernal, sobre a luta que traz equilíbrio ao mundo. Eu aprendi sobre a Grande Roda dos Tempos, com a qual seguimos de eras iluminadas, no topo da Roda, para eras mais brutais e sombrias, na parte inferior da Roda. E lá, no final do grande ciclo, caíremos na total escuridão, no horror que durará um milênio.

Naquele ponto, o mundo poderá parar, se a Roda for tirada de seu caminho... A escuridão poderá reinar até o fim dos tempos. Ou então, se as forças do bem puderem mitigar o poder infernal, ou encontrarem uma maneira de superá-lo, a grande Roda voltará a girar, subindo novamente para eras mais iluminadas, até atingir o intolerável 'paraíso', no topo.

Os tolos que se orgulham de seu estado 'iluminado' tentam fazer a Roda girar; no entanto, eles não fazem qualquer plano para além desta era. Eu não cometi tal erro. Por isto, por APENAS isto fui enviado ao inferno. Mas se estou condenado, que seja grande a minha depravação. Eu tomarei tudo para mim mesmo. Eu irei levar a Grande Roda na direção do colapso e cairei sobre o mundo com um punho de ferro e chicotes de fogo. Eu serei discreto em meus planos e circunspecto nas minhas negociações.

No entanto, uma dose de inteligência, qualidade que lhe falta, se faz necessária. Agora deixe-me sozinho, antes que sua estupidez contamine meus planos." - rosnou Saulot.


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É isso. Farei um novo texto para este diário quando chegarmos ao Turno 11, contando sobre o intervalo entre o Turno 2 e o Turno 11. Até lá!

sábado, agosto 28, 2010

Diógenes - Uma aventura na praça de alimentação

Caminhando pelo shopping, paro para comer um sanduíche do Subway. Observo a longa fila, uma dúzia de pessoas se amontoando diante de uma fachada estreita. Pego meu lugar na fila, atrás de um rapaz jovem, com uma cara de hippie versão anos 90. Atrás de mim, uma menina um pouco mais jovem do que eu, vestindo calça jeans e um moleton rosa.

Olho ao longo da fachada as placas que oferecem alimentos. As opções são muitas, mas todas parecem ser refeições razoáveis, bem equilibradas. No entanto, eu rapidamente filtro o cardápio, impondo a mim mesmo uma dieta especial. Sobram duas opções: um sanduíche com muzzarela de bufala e tomates secos, e outro apenas com salada.

Olho ao meu redor, pairando com o foco dos olhos ao longe, e observo a competição acirrada travada entre todos aqueles restaurantes. Uma fachada vende comida chinesa; outra, comida italiana; outra ainda vende apenas lanches gordurosos, o chamado fast-food. E no canto, quase vazio, vejo um buffet repleto de opções de carnes e saladas.

Me pergunto se, quando os clientes se afastam, os funcionários daquele estabelecimento comentam entre si até quando ele permanecerá aberto. Será que eles se importam, além do fato de que perderiam a segurança de um emprego?

Me ocorre então que o restaurante em que estou, de sanduíches, ao contrário do buffet, está bem colocado na disputa entre aqueles estabelecimentos. Pois, apesar do preço alto cobrado por um pedaço de pão com recheio de vegetais, a fila teima em ser renovada por novos clientes que chegam sabe-se lá de onde, felizes em trocar seus pedaços de papel coloridos por comida.

Fico pensando, enquanto não chega minha vez de ser atendido, o que leva alguns estabelecimentos a receber clientes e outros, não. Vários fatores podem ser imediatamente identificados.

Com relação às lojas, os fatores são: preço, qualidade percebida do produto, notoriedade da marca, reputação do estabelecimento no qual o produto é comercializado, competição entre as lojas.

Com relação aos clientes, os fatores são: potencial de público para cada produto na competição, quantidade total de público, e os infinitos fatores ambientais que levam os clientes a buscar (ou não) um produto.

Assim, na minha mente, eu monto uma explicação para o que está acontecendo (note-se que é uma explicação que pode ou não estar correta), e nela, o sucesso de cada estabelecimento é resultado destes fatores e de outros, que eu posso não ter percebido, invisíveis, mas que existem.

Por exemplo, qual é a explicação para o fato de que a loja em que estou, que vende "sanduíches saudáveis", possui tanto movimento? Simples: potencial de público para este produto. Existe, no universo do público desta praça de alimentação, um sub-grupo que divide a comida naquilo que pode / não pode comer. Este grupo dá menos importância ao preço do que ao que vai comer, e isto os leva a inundar esta fila. Eu, aliás, sou parte desse grupo - entrei nesta fila justamente porque nenhuma outra loja atende ao meu nicho.

E a loja de fast-food (McDonalds), por que possui tamanho público? Simples: qualidade percebida do produto e notoriedade da marca. Quem quer consumir deste estabelecimento, quer de fato consumir deste estabelecimento. Esta refeição não pode ser substituída por outra - de certa forma, a marca cria o seu próprio nicho.

E o buffet, abandonado, por que não consegue atrair clientes? Para mim, um mistério. O lugar parece bonito, limpo, cheio de opções. Mas, de longe, percebo uma coisa: não existem preços visíveis. E, como o lugar é tão limpo e bonito, parece caro. BAM! Primeira barreira criada - alguns não entrariam neste lugar para conhecê-lo, acreditando ser "caro demais". Continuo observando e percebo outra coisa: um buffet é algo genérico, sem nenhuma qualidade específica que atraia clientes. Diferentemente do fast-food, ou da sanduicheria, ou da comida italiana, ou da comida chinesa, o buffet não faz parte de um "tipo". E, ainda que ele possa atrair pessoas que esperam comer "um pouco de cada coisa", isto, a princípio, não atrai um público específico. Não possui nicho.

Alguns restaurantes ocupam nichos; outros, não. Aparentemente, os que ocupam nichos estão cheios, e os que não ocupam estão vazios. E qual é o significado disto? A conclusão óbvia, porém errônea, é de que apenas lojas ligadas a nichos sobrevivem. Pois como explicar as lojas anteriores, ligadas a nichos, que foram fechadas? Observo então que a competição leva ao fechamento os estabelecimentos mais fracos, considerando-se a soma de suas forças nos fatores de minha "fórmula".

Olhando ao meu redor, eu vejo um estranho de equilíbrio de forças. Não são forças físicas, como as observadas no equilíbrio de um castelo de cartas, mas as forças de um equilíbrio econômico. Forças que empurram pessoas para algumas fachadas, e as afastam de outras. E algumas destas fachadas serão as mesmas daqui há alguns anos; outras, não.

Eu posso prever, de forma justificada, quais são as lojas que resistirão. E eu posso justificar o motivo pelo qual determinada loja não irá sobreviver naquele ambiente, caso seja lá colocada. Não que eu realmente acredite estar certo; afinal, este "sistema" existe apenas na minha cabeça. Ainda que eu "acredite" que os fatores são razoáveis, talvez ele não represente adequadamente a realidade.

Chega a minha vez de ser atendido.

segunda-feira, agosto 24, 2009

Diógenes - Plebiscito popular

O texto do colega Conniff me lembra mais uma vez daquela velha história: "o que falta no Brasil é educação. Educação, educação, educação!". Em um país como este, em que a verdade não é a verdade e em que as pessoas não têm vergonha na cara, é realmente difícil discutir qualquer coisa. Não só isso, é difícil levar as pessoas a se indignarem, é difícil convencer as pessoas de que algo está errado... de que algo está REALMENTE errado.

Bom, sobre o plebiscito popular realizado em Porto Alegre... trata-se de uma consulta à população, realizada pela prefeitura de Porto Alegre para decidirmos se pode-se construir prédios residenciais na área do Estaleiro Só.

Algumas informações (o pouco que sei sobre o assunto):
1) A área pertence a uma construtora. Já existe lá a possibilidade de construir prédios comerciais.
2) A construtora ofereceu realizar a rejuvenação da orla, com barzinhos, passeios, cais, etc., recebendo como contrapartida a permissão para construir também (em sua área, não na orla) prédios residenciais.

Resultado do plebiscito: 80% das pessoas votaram negativamente - ou seja, não, não se deve construir prédios residenciais naquela área. O jornal Zero Hora colocou uma chamada em letras garrafais nesse sentido, e diversas pessoas aparecem fazendo uma análise desse "expressivo resultado".

Detalhe: em uma cidade com 1 milhão de habitantes, apenas 18 mil votaram.

Detalhe 2: a empreiteira já decidiu há meses atrás que não iria construir nada na orla, não importava qual fosse o resultado do plebiscito. Como em outros casos (por exemplo, o caso em que o Dado Bier queria fazer uma obra na orla do centro), o governo, com sua burocracia e inflexibilidade, levou os investidores desistirem. É aquela velha história, que já se torna tão comum: "quer saber... fodam-se vocês, não estamos mais interessados em investir em porra nenhuma nessa cidade. Vão tomar no cú."

(Isso é o que eu imagino que um empreiteiro diria se passasse dois anos tentando investir seu dinheiro em uma cidade, encontrando todo tipo de problema... imagine esse dinheiro todo mofando porque um bando de vereadores não gostaram de um detalhe do projeto, ou precisam fazer um plebiscito marcado para daqui a uns 10 meses... quem tem mais do que R$ 50 no banco e gostaria de aplicar em algo útil sabe como é.)

Então, qual deve ser a nossa REAL análise dessa situação?
1) Que o povo não poderia estar se lixando mais para o assunto?
2) Que, se o governo não é capaz de decidir sobre isto, o que dirá nós, que não temos acesso às análises de impacto ambiental, dos efeitos urbanísticos, etc.?
3) De que o governo é incompetente, fraco e lava as mãos por covardia, porque não quer dar munição para a oposição na eleição vindoura?
4) Que as pessoas que foram de fato votar são: i) os ambientalistas e ii) os que vão perder a vista para o Rio/Lago Guaíba?
5) Que uma gigantesca obra urbanística é irrelevante para o plano diretor da cidade, de forma que a decisão pode ser delegada à população, que não entende porra nenhuma de porra nenhuma?
6) Que os nossos jornais são um lixo, que suas informações são desconexas e que as chamadas estão utilizando tamanho de fonte grande demais?

Bom, a minha análise é esta: todas as opções acima. Eu, ao contrário do amigo Conniff, não tenho nenhuma esperança para este mundo. Aliás, sigo acreditando que nada significa nada, e que não existe muito sentido em sequer escrevermos qualquer coisa aqui. Nada importa.

quinta-feira, agosto 06, 2009

CONNIFF - Raízes do Brasil


Interessante como algumas coisas simples podem definir a natureza de um povo inteiro. Peguemos, por exemplo, o comércio. No Brasil, é comum a confusão entre a esfera familiar/afetiva do indivíduo com a esfera negocial. Nunca fui à Escandinávia, mas posso afirmar que é curiosa a quantidade de negócios/problemas que são solucionados aqui com "eu conheço alguém que pode te ajudar...". "Eu tenho um parente que trabalha...". Lá na Noruega as coisas devem ser mais profissionais, presumo. Afinal, se eu procuro um sapateiro, não quero que ele seja meu amigo, mas sim que ele me arrume o sapato. Acho que li isso no Raízes do Brasil, sendo que os holandeses foram os primeiros a notar que, para se negociar no Brasil, era mais útil tornar-se amigo do comerciante.

Isso acaba descambando para outro problema, qual seja, a confusão entre o que é público e o que é privado. Na verdade, se a esfera profissional se confunde com a familiar, o abstrato conceito de coisa pública torna-se um tanto quanto mais complicado para ser apreendido pelo brasileiro médio. Generalizações, saca. A coisa pública é de todos, de ninguém, logo, ela é minha. "Se eu puder entrar nela, tenho mais é que arrumar uma boa quantidade de parentes para aquinhoar na grande mãe leiteira que é o Estado". Este é o pensamento prevalente. Para isso, tenho outra explicação e outro parágrafo. "Na tela!".

No Brasil, já devo ter dito isso, as coisas sempre vieram de cima para baixo. A estrutura burocrática surgiu em 1818, antes que tívessemos maturação suficiente como povo para fazer qualquer coisa. Nesta oportunidade, inclusive, a Família Real chegou confiscando propriedades, somente mediante a colocação das iniciais "PR". Principe Regente ou Prédio Roubado, o que perferires. Olhando nossa história, isso quem diz é o Peninha, nunca tivemos qualquer movimento verdadeiramente popular. Independência? O Príncípe Português, olhem a contradição!!! Abolição? Penada da Princesa, com um atraso considerável quanto ao restante da América. Proclamação da República? Meia dúzia de marechais, o povo só ficou sabendo pelos jornais. 30? Cima para baixo. Golpe Militar? Idem. Ponto feito, outro parágrafo se impõe.

Tudo isso nada mais é do que nossa distorcida visão de Governo e de Estado. Nos EUA, e mais uma vez eu nunca estive lá, as pessoas tendem a ver o Estado como um mal necessário, tolerado desde que não atrapalhe a esfera privada das pessoas, que são, em última análise, quem produzem renda e "buscam a felicidade", como diz o filme do Will Smith. Aqui, contudo, olhamos para o Estado e vemos o resposável por todas as nossas mazelas. Saúde é ruim? Culpa do Estado. Educação? Habitação? Tudo culpa dele. Corrupção só existe lá, como se nós, como povo, não fôssemos adeptos ao jeitinho e, na pior das hipóteses, complacentes e passivos em relação a tudo que nos rodeia, como se nossos governantes fossem os "super-heróis" que nos salvarão do cataclisma ou terão a responsabilização eterna por todos nossos problemas como sociedade.

Escrevo tudo isso porque, como muitos, me desiludo com crise atrás de crise na política brasileira. As notícias repetem-se e não é de hoje. Nosso Legislativo não tem legitimidade, mas a impunidade e a complacência acabam por perpetrar um estado de inércia permanente, onde os escândalos se repetem ao ponto de serem tolerados como se fossem algo normal ou decorrência direta do poder. Bom, não é. Embora com alguns avanços -lembro, por exemplo, a necessidade de concurso público, que sequer existia antes da Constituição de 1988-, nunca cresceremos como sociedade se o exemplo perante nossas futuras gerações continuar sendo passado desta forma. Não há como explicar ao meu irmão tratamento cordato ao próximo quando, no Jornal Nacional, todo dia, ele vê senadores com "V. Exa. vai para aquele lugar". Não dá para incutir nas pessoas uma cultura de repulsa ao roubo e ao locupletamento ilícito quando ela não é punida pelo próprio Estado.

Resolvendo isso, acho que o Brasil tem tudo para dar certo. É verdade, contudo, que eu sou um otimista, então eu não conto. Abraço.

segunda-feira, julho 27, 2009

Diógenes - Algo.

Tenho estado um tanto ocupado com algumas bobagens que estou fazendo para passar o tempo. Ainda assim, sinto que está na hora de escrever algo. Logo:

1) Não se preocupem, o vice-presidente não irá morrer. No pior dos casos, ele sumirá em uma nuvem de enxofre.

2) Aviões caem. Foda, isso. Sabe, aviões são sim mais perigosos. Afinal, quando um carro estraga, ele pára. Quando um avião estraga, ele cai. Quando um carro bate, ele estraga. Quando um avião bate, ele estraga. Carro = 1 de 2. Avião = 2 de 2. Carro só é mais perigoso porque tem mais imbecis dirigindo do que imbecis voando.

3) Estou lendo os contos do Conan, o bárbaro. Ele é o cara. Sair por aí dando espadadas em monstros abissais, agarrando umas mulheres submissas com grandes seios e pernas torneadas, e tal. É a "literatura macha pra caralho" em seu auge.

Agora falando sério, o estilo "Sword and Sorcery" do início do século é bem legal. Até posso imaginar pessoas sem televisão a cabo e computadores tendo orgasmos mentais lendo essas porcarias. Recomendo.

Eu tinha mais umas merdas ultrajantes pra dizer, mas a porra do Tourettes me impede. Até mais.