Opiniões Proféticas

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

CONNIFF – Pizarro Bizarro

Saludos!

É um prazer quase sexual estar de volta ao convívio neste venerável blog. Em minha ausência, estive no Estado de Santa Catarina, na companhia de meu dileto primo, o Profeta, de familiares e de minha amável respectiva. Foram tempos auspiciosos :).

Devo admitir, inicialmente, que estive assistindo ao Big Brother. Adicionei todas as moças da casa à minha lista. Elas não possuem opiniões solidamente formadas sobre qualquer assunto, pelo que pude perceber, mas quem não entra em contradição de tempos em tempos.

Pouco tenho a comentar, entretanto, sobre tal programa. Agora, uma coisa é verdade: quem começa a ver, continua vendo, salvo se parar de ver. :).

Gostaria de referir, por oportuno, que tive a oportunidade de jogar tênis no estádio da Copa Davis. A atuação foi pífia, como sempre, mas já é alguma coisa.

É de bom alvitre, também, tecer minhas escusas pelo atraso no post. Passei dez dias longe de um computador.

As leituras foram em pequeno número, embora Raízes do Brasil tenha correspondido às minhas expectativas.

Ficaram pendentes, finalmente, os planejamentos anuais, já que eu funciono mais ou menos como uma União Soviética dos tempos áureos, com Plano Plurianual e tudo mais. Serão feitos nesta última semana de férias.

Como eu não tenho nenhum assunto para propor, pegarei ganchos dos textos que me antecederam:

1. Pensando melhor, eu não vejo problema em reajustar o preço do gás comprado da Bolívia, que, diga-se de passagem, custa menos que mijo enlatado. O problema, ao meu ver, é que não se trata de uma negociação, mas sim uma benevolência cretina, onde dez pessoas fizeram estudos para saber o preço mais ou menos ideal, daí um idiota brasileiro nomeado por qualquer partido político no melhor estilo “me leva que eu vou” (ou, melhor dizendo, “me paga que eu estou”) simplesmente decidiu ignorar os estudos técnicos e pensar, ‘ah, vamos fazer uma boa ação’. Informado, nosso Excelentíssimo Presidente (ou, em um trocadilho infame, Esse Lentíssimo Presidente) falou algo do tipo “façam o que acharem melhor” ou, pior, vamos tratar com carinho a Bolívia. Vamos e venhamos, Sr. Presidente, este troço de tratar países com carinho acaba-os transformando em crianças choronas e mimadas, de forma que nunca resolvem seus problemas, ficando culpando os outros e o Bush eternamente pelos infortúnios oriundos da péssima gestão da coisavpública. Pior para os bolivianos.

2. Na esburacada BR-101, entre uma ultrapassagem e outra, pensei sobre a Conquista da América, onde povos como os Incas, Maias, Astecas e similares foram dizimados em tempo recorde. Antigamente, tinha sinceras dúvidas se a coisa tinha que ter sido assim ou assado e etc., mas, sou forçado a reconhecer, com toda a crueldade envolvida no processo, de certa forma, nossa sociedade atual precisou de um Pizarro (ou Cortés) para alcançar o grau de “progresso” que hoje temos. Aliás, todo o raciocínio depende da concepção de “progresso” que adotamos, que pode ser bem diferente de pessoa para pessoa –vide, por exemplo, eu e o Daniel. Pensando melhor, as dúvidas permanecem.

Enfim. Isso é uma constatação vazia que pretendo elaborar em um texto futuro.

Finalizo, portanto, com uma pequena referência ao evento que o Diógenes tratou como maligno, mas, aos olhos de todos nós, é um grande dia. Parabéns, Daniel. Como digo e repito sempre, são pessoas como o amigo que fazem o mundo valer a pena. Felicidades!

Abraços aos amigos.

Um pensamento edificante de um escrito russo, cujo nome não me recordo:
Once there was a redheaded man without eyes and without ears. He had no hair either, so that he was a redhead was just something they said.
He could not speak, for he had no mouth. He had no nose either.
He didn't even have arms or legs. He had no stomach either, and he had no back, and he had no spine, and no intestines of any kind. He didn't have anything at all. So it is hard to understand whom we are really talking about.
So it is probably best not to talk about him any more.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007



Diógenes de Sínope




Em primeiro lugar, um parabéns para ao Google, que associou esta conta blogger à minha conta Google, fazendo exatamente o contrário do que eu queria no momento em que eu cliquei NO MALDITO botão de "CRIAR NOVA CONTA GOOGLE". Parabéns, seus retardados. Muito obrigado por porra nenhuma.

Ah, meu aniversário. O aniversário serve, no meu caso, para tornar o dia num inferno. Quanta coisa irrelevante e desconexa eu poderia dizer aqui sobre isso. Compartilho, no entanto, um pouco de sabedoria: HAHHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAH! HAEUEAHUEAAEAHUEHEAUEAHEAHEARARHAHRHARHAHRA!

Vamos agora pular para os assuntos relevantes (????!!!!!) como, por exemplo, a notícia do piá que arrastaram através de uma cidade desimportante com um carro. O que posso dizer sobre isso? Dizer "eu avisei" seria hilário (apenas uma piada pessoal, ininteligível por (Todos-2) pessoas neste mundo), porém não o farei (mas já o fiz, percebeste, meu caro?). Nada mais tenho a falar sobre o pobre pedaço de carne que foi arrastado transformando-se em guizado.

Ah, lembrei! Será que seus restos foram utilizados na alimentação de alguém? Pois alegrem-se! Imagino que ele talvez tenha servido de alimento a alguns pombos e ratos que o tenham encontrado ao longo dos quilômetros e quilômetros de asfalto, e com isso, o jovem terá se tornado mais útil (munido de significado a algo ou alguém) do que muitos homens e mulheres de bem conseguem se tornar em todas as suas vidas.

Ah, sim... feliz aniversário, humanidade! Feliz aniversário, idéia natimorta!

Me chamem de extremista, mas sinceramente acho que deveria existir pena de morte até para fetos. Sim, para fetos. Se um feto pudesse se arrastar para fora do ventre e viesse até mim para me pendurar num cinto de segurança de um carro e me arrastar 15 km por sobre o asfalto e quebra-molas, eu com certeza daria uma marretada no meio de sua cabeça. Quem sou eu para fazer distinção entre dois pesos ou tipos de carne? Carne, em minha opinião, é carne.

Ah. Eu tinha tanto mais para dizer, mas não consigo lembrar. Deve ser efeito deste dia maligno.

Segue o Barco

Senhoras e Senhores,

Antes de qualquer coisa, gostaria de publicar minhas desculpas oficiais pela demora no meu post. Digamos que acabei formando um “gargalo” no blog.

A minha maior preocupação é o fato de algumas pessoas acabarem pensando: “Puxa, este tal Nasrudin está demorando pacas, vai escrever o melhor post de todos os tempos!!!” Então eu seria obrigado a dizer: “CALA A BOCA MEU AMIGO!!! VOCÊ ESTÁ DEFECANDO PELA BOCA!!!”, frase esta, é claro, proferida originalmente pelo grande professor Gilmar.

Bem, não tenho nada objetivo para falar, e lamento, pois possivelmente não sairá nada de produtivo deste post mesmo...

Gostaria apenas de registrar aqui, a minha profunda indignação pelos últimos fatos ocorridos no Brasil. O caso do menino no Rio, que só de pensar meus olhos ficam ardendo de tanta raiva, de termos uma legislação fraca, permitindo que um Jovem de 16 anos, participe de um crime como este e daqui a 3 anos esteja andando pelas ruas. Prof° Gilmar diria que ele merecia ir para a prisão, raspar ele e deixar liso que nem uma garrafinha, brincar com o buraquinho dele, usar anelzinho de barbante e por aí a fora...

Mas tudo isso é muito pouco para uma barbaridade como esse. Por mim, teria que serrar um pedacinho dele a cada 3 dias... Até não sobrar nada... Mas enfim, cada um com sua opinião... Tem aquele pessoal dos direitos humanos... Mas direitos humanos deveriam ser aplicados somente para humanos, correto???

Enfim, tem também o caso do Metrô, que a meu ver é grave também, tendo em vista que milhões de pessoas irão trafegar nele, além dos trabalhadores que todos os dias não sabem se o negócio desaba em cima dele ou não... Mas até agora ninguém fez nada, sabem que tem problema, 7 já morreram em um desabamento e segue o Baile!

O PAC vai salvar o Brasil!!! Vai ser uma loucura!!! Mas o “pequeno” aumento do Gás vindo da Bolívia não é um contra-ponto??? Não deve ser, são somente 100 mi a mais... Bem, sem falar no resto, mas enfim, não vamos falar disso aqui...

Bem, é o post mais murrinha que eu escrevi, lamento a todos, não estou no clima de coisas engraçadas... Mas possuo uma grande vantagem de escrever no mesmo blog que grandes figuras, que irão salvar a pátria, ou melhor dizendo, o blog!!!

Deixo aqui um grande abraço aos amigos, saudações ao Ray Conniff, atualmente na ilha da magia fornicando em belas praias... Possivelmente junte-se ao Sr. Cap. Boing. Gostaria também de deixar um PUTA abraço (vejão bem um PUTA no sentido de grande e não das profissionais do sexo) para o Sr. Diógenes de Sinope, tendo em vista que hoje é um dia especial para ele, mas principalmente para nós, pois é o dia em que comemoramos a chegada a este mundo de um camarada tão especial quanto ele!!! Fica registrado aqui meu velho, que te desejo toda a saúda e paz deste mundo!!!

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Devaneios...

Que homem arruinado é esse
Carne translúcida e ossos frágeis
O tipo de tempo onde as putas e vilões
Tentam o livro holistico

Correndo desenfreado com pensamentos livres para livres formas
Na liberdade e clareza
Onde as matérias são deixadas pra fora como fios de tecido emuma lavenderia
Examinar e se concentrar no maior, melhor, agora

Nós todos temos pecados que precisam ser colocados pra fora
Virtudes pelo despedaçado
E leis e sistemas
E troncos surgem dos ramos do escritório

Você sabe o que o seu aviso acarreta?

Você tem um proposito a servir?
Ou serve de proposito?

Deitado dentro de sua abundância
O valor de um verão gasto
E um inverno conquistado

Para o resto de nós sempre há o domingo
O dia da semana para o descanso
Mas tudo o que fazemos é recuperar o folego
Para que passemos com dificuldade pela piscina de sangue
E coloquemos a mão no grande livro preto

Assistir as facas fazerem zig-zag entre nossos dedos doloridos

As férias são uma contagem regressiva
Cada vez menos de sua vida
É hora de arrastar sua lingua no copo de açucar
E esperar que você sinta o gosto

Mas pra que tudo isso? (O que diabos está acontecendo?)
Cala a boca!

Eu poderia continuar, mas vamos prosseguir

Digamos que você é eu, e eu sou você
E eles assistem as coisas que fazemos
E como uma porrada de rancor
Me jogaram escada a baixo
Não me sinto assim há anos
O grande ímã de rejeição maliciosa
Me deixe ir e
Me dê um soco no ponto morto de novo

É pra lá que você vai quando não tem mais ninguém ao seu redor
É só você
E nunca teve ninguém, teve?

Malditos pretenciosos, covardes
Com seu polegar no pulso
E um dedo no gatilho

Confidencial o caralho! É um segredo e você sabe

Governo é outra maneira de dizer
Melhor
Que
Você

É como gelo inquebrado
Uma acusação de assassinato que não é aceita
É como outro mundo
Onde você pode sentir o cheiro da comida
Mas não pode tocar nos talheres

Que sorte
Por fascismo você pode votar
Isso não é legal?

E todos vamos morrer um dia
Porque esse é o “jeito americano”
E eu bebi demais
E falei de menos
Quando seu assistente gravou no meio
Diga uma prece, evite a humilhaçãoSe recupere e (veja o que está acontecendo)
Cala a boca! (Vai se foder!)
Vai se foder!

Desculpe, eu poderia continuar mas
É hora de prosseguir, então

Lembre-se de que você é uma ruina, uma cidente
Esqueça da aberração, sua natureza

Mantenha a arma lubrificada e o templo limpo
Merda, bufe e fale blasfemias
Deixe as cabeças esfriarem e os motores esquentarem

Porque no final
Tudo que fazemos
É tudo que fizemos.

...

Bom,é isso aí gurizada.Desde já , pedindo desculpas pela demora e pela falta de comentário no texto dos amigos.Mas sabem como é...Capitão Boing está semana está resolvendo o seu futuro,aí não tinha sobrado muito tempo para entrar na net.Mas agora (creio eu) tudo voltou ao normal e terei bastante tempo novamente.

Mas agora vou ali fumar um cigarro...Ou talvez comer uma pastelina...Vai saber.E depois voltarei aqui para comentar no texto dos amigos.

Um Capitão Boing feliz e muito de bem com a vida...Vai ficando por aqui.

Deixando um abraço aos amigos desde blog.

Até a próxima.

domingo, fevereiro 04, 2007

CONNIFF - Inutilidades Imortalizadas



Mui excelente e deveras auspicioso mostra-se o andamento deste periódico! Tomara que ele se mantenha incognito (sem acento, como no espanhol) à grande mídia.

Meu texto será singelo. As horas de Winning Eleven ao som de “Grêmio, tu é a alegria do meu coração” transmutaram-se em grande entretenimento, mas, ao mesmo tempo, transformaram meu cérebro em uma noz. Espero que ele inche novamente, tentarei fazer palavras cruzadas –“nível Cobrão”- para que isso ocorra novamente.

(viram, repeti o ‘novamente’ duas vezes).

Escolhamos, portanto, um assunto leve. Recorrente, aliás, nos textos do próximo escritor deste blog, nosso ilustre Capitão Boing. A futilidade.

Dias destes, no sítio do UOL, havia uma notícia: “Victoria pede para Beckham se livrar dos cachorros”. Era a terceira mais lida do dia. Eu não cliquei na notícia, entretanto.

Ressalto, contudo, que clico em notícias mais idiotas. Por exemplo, “Ronaldo Esper rouba vaso de flores em cemitério e acaba preso”.

Penso cá com meus botões. Para sair uma notícia dessas, a dos cachorros, deve ter sido algo do tipo, “Ei, precisamos de uma notícia para hoje”. Daí o próprio assessor de imprensa inventou essa lorota, que correu a Internet em um dia. O Beckham nem deve saber do cachorro que tem, presumo eu.

Claro, pode ser que eu esteja errado e a Senhora Beckham realmente queira se livrar do Poodle Belga do seu marido. Estaremos diante de um dilema conjugal. Sinceramente, é irrelevante.

O ponto é que, em tese, isso é uma bobagem atroz que merece desprezo das mentes iluminadas deste Universo, seleto grupo no qual não me incluo. Mas, de qualquer sorte, gastamos muito mal nosso tempo. Pelo menos, do cretino BBB eu já me livrei! :).

Em verdade, acho que deveríamos ser mais tolerantes com as coisas, com as outras pessoas e seus inúmeros erros, com as bizarrices do mundo, enfim.

Guardemos nossa intolerância para nossos próprios inúmeros defeitos.

O argumento não quer dizer –muita gente confunde- que deveríamos ser tolerantes com a intolerância ou gostar de tudo que nos deparamos. Quero dizer, contudo, que ser ‘Easy Going’, para usar uma expressão inglesa, não nos fará mal, no mais das vezes.

Eis o ponto do texto do Chong e de outros que escrevia no outro blog. Eis uma das virtudes que mais aprecio, a tolerância e o respeito aos semelhantes.

E às favas com o Beckham e seu cachorro. Até a próxima.

(Foto: singela homenagem ao Patrono! Hombre, ella es muy magritita, pero yo pienso que ella puede hacer un “caldo”. Mira los mellones, cabrón! A mi me gusta las chicas desnudas!)

quinta-feira, fevereiro 01, 2007



Diógenes de Sínope




ESTEJA FELIZ, CIDADÃO,
POIS A TELEVISÃO É SUA AMIGA!

A televisão é sua amiga.
A televisão irá ajudá-lo a ser feliz.
Ela lhe trará cultura, educação e enTERtenimento.
A televisão é legal. A televisão lhe disse isso.
Você não está feliz em ter uma televisão?
Você não ousa questionar a televisão, não é mesmo, cidadão?


Pois saibam que hoje eu vi na TV uma coisa bizarra.
Tratava-se de uma menina com os olhos tapados por duas mãos adultas. Então as mão saem dos olhos da menina, mas existem mais mãos sobre os olhos dela, de forma que as mãos vão saindo, uma a uma, enquanto um discurso é proferido. Era ele mais ou menos assim:

"Os programas de televisão possuem uma idade indicativa, que mostra para qual idade os programas são adequados. Entretanto, ninguém melhor que os pais pode decidir o que é bom para seus filhos. A TV aberta brasileira lhe dá cultura, educação e enTERtenimento. Milhões de brasileiros assistem televisão."


E nesse momento, a última mão sai dos olhos da menina. Abre ela um cativante sorriso, feliz pela liberdade (ou talvez seja o diretor dizendo: sorri, sua pirralha de merda).
Oh, agora os pais dela (quer dizer, ELA, já que os pais dela trabalham e não têm tempo pra ficar em casa vendo o que ela está assistindo) já podem decidir o que ela pode assistir.

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Hah, longe de mim dizer que deveria existir uma censura para os programas.
Afinal, quem são estas pessoas magníficas que podem julgar o que os outros podem ou não fazer?
Mas convenhamos, quem são também os pais para decidir alguma coisa?
E quem é a criança para decidir por si mesma?

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Alegrem-se, meus amigos!
O mundo será salvo!
Pois saibam que a destruição do mundo agora é pop!
Salvem as baleias e as jaboticabas silvestres!
(Se é que elas ainda existem)

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Cena 1: Ou talvez, o prelúdio

Estava eu dentro
de um veículo com motor de combustão extremamente ineficiente (cujo combustível é fóssil) quando avisto na calçada uma mulher que entrega folhetos.

Meu pai preparou em seu rosto aquele olhar "Eu não quero seu papel imundo, remova-se daqui", mas eu, sabendo que os tais folhetos são em verdade uma bela mídia para alguns dos conteúdos mais cômicos de nossa formidável civilização (veja o Anexo 1), aceitei o folheto.

Abro eu o folheto e começo a rir.

(Anexo 1: Em seu non-sense, em sua psicodelia, em sua completa desconexão com a realidade, folhetos comerciais como o que recebi equiparam-se aos programas de humor
televisivos, que são cultos, educativos e divertidos, no sentido econômico completamente contrário mas, entenda e não se engane, ainda sobre o mesmo eixo social. E isso é assunto para toda uma nova discussão.)

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Cena 2: A descoberta de um nome

Um grupo de marketeiros sentados em volta de uma mesa, assustados, com a memória ainda fresca de seu chefe dizendo: "
VENDAM ESTA MERDA DE EDIFÍCIO OU ESTÃO DESPEDIDOS!"

"Precisamos de um nome elegante, despojado e principalmente... moderno." - diz uma mulher com cabelos loiros pintados.

Os olhos se entreolham, e vêem olhos vermelhos de sono e tédio.

"Já sei" - diz um rapaz assustado, o estagiário. "Belle... Belle... Belle alguma coisa." Mas que coisa, hein estagiário! Você tinha uma idéia, ou quase.

"Ai, que horror! Hmph, 'Belle'! Todos já usaram essa palavra em algum edifício! Francês é tão retrô!"

"Ok, caras" - diz o consultor internacional. "Belle... Vue."

"O que isso quer dizer?"

"Não sei. Mas agora parece sofisticado, não acham? Hein, pessoinhas?"

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Cena 3: Fast-forward video portraiting shiny happy people

Esta é aquela cena em que uma música animada toca enquanto as imagens mostram as pessoas trabalhando felizes e enfim conseguindo fazer o que elas deviam fazer. (Que nem nos filmes de adolescentes americanos preparando "A festa")

Ao final, os marketeiros se reúnem para ver o resultado:

Sobre o edifício se diz:
Belle Vue, moderno e sofisticado como a cidade, especial e exclusivo como você.

290m² de área total, 152m² de área privativa.
Áreas comuns entregues equipadas e decoradas.

Sobre o apartamento se diz:
3 suítes ou 4 dormitórios.
Living com lareira e churrasqueira integrada à cozinha.
Ampla sacada aberta.
Dormitório de serviço reversível para home offíce.
Elevador social e hall privativo.

Sobre o condomínio se diz:
Piscina adulta com raia de 25m, com prainha e piscina infantil.
Sauna.
Lan House.
Salão de festas com espaço gourmet.
Fitness.
Playground.
Brinquedoteca.

Fotos produzidas em estúdio. Computação gráfica para mostrar como será o edifício. Tudo isso impresso sobre papel da maior qualidade, lustroso e chique como as mãozinhas que irão segurá-lo.

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Cena 4: The end of all hope

Eis que o folheto cai nas mãos de Diógenes, o cínico. Desde a capa põe-se a rir (internamente, pois externamente ele sabe que ninguém compreenderia [veja o Anexo 2]).

- Belle Vue, moderno e sofisticado como a cidade,
Ceeeerto. Moderno e sofisticado como a cidade? De que cidade será que eles estão falando? Será mesmo de Porto Alegre, a velha e não tão boa Porto Alegre, que mal consegue se sustentar acima do mínimo aceitável para o terceiro mundo?

-
especial e exclusivo como você.
Esta parte é boa! ESPECIAL e EXCLUSIVO. Se sou exclusivo, sou especial. Se sou especial, sou exclusivo. Oh, como eu adoro os sinônimos!

- 290m² de área total, 152m² de área privativa.

Como é que pessoas especiais e exclusivas podem compartilhar espaço assim?

- Áreas comuns entregues equipadas e decoradas.

Eu achei que para pessoas especiais e exclusivas isso fosse um pré-requisito, não um item adicional.

Sobre o apartamento se diz:
3 suítes ou 4 dormitórios.
Esta parte eu não entendi. Será o quarto quarto é a dependência de empregada? Será que ao se adicionar a dependência de empregada à conta as três suítes são reduzidas a dormitórios?

Living com lareira e churrasqueira integrada à cozinha.
A churrasqueira não está integrada à cozinha, está próxima. Se estivesse integrada, o chão da cozinha ficaria em chamas a cada churrasco.

Ampla sacada aberta.
Ampla? AMPLA?! 5 metros por 1.5 metros. Vamos fazer logo um baile na nossa sacada!

Dormitório de serviço reversível para home offíce.
Ou seja, aquela salinha escura onde você enfia um computador e, durante o verão, as pessoas exclusivas chegam a temperaturas de cozinhamento.

Elevador social e hall privativo.
HEREGES! Vocês não entendem nada de pessoas exclusivas! Eu quero meu próprio elevador! E daí que eu moro no térreo? Eu quero!

Piscina adulta com raia de 25m, com prainha e piscina infantil.
Nunca mais saia de casa! Compartilhe sua exclusiva praia com mais 200 moradores de seu prédio sofisticado e exclusivo!

Sauna.
Aquele serviço legal que nunca vai realmente funcionar porque as pessoas nunca vão poder ir quando querem, porque não são especiais o suficiente para manter lá um gnomo mexicano para ficar cuidando do troço 24h x 7 dias.

Lan House.
All your base are belong to us! Certifique-se de que seus filhos ultra-mimados tornem-se em completos retardados! Pague quantias absurdas de eletricidade porque os computadores ficaram todos ligados! Enfrente as piores reuniões de condomínio de todos os tempos, em que os pais são obrigados a fazer o upgrade de 10 computadores ao mesmo tempo por pressão dos filhos!

Salão de festas com espaço gourmet.
Eu não faço idéia. Mas com certeza não é tão bom quanto parece.

Fitness.
A professora será mandada embora em dois meses por falta de alunos (todo mundo está ocupado demais). Durante alguns anos algumas tentativas frustradas serão feitas em nome da boa forma física e da saúde, mas todas falharão devido ao desinteresse geral. As máquinas de exercícios vão enferrujar e ninguém vai querer consertar, porque a maioria dos condôminos não irá usar a sala de fitness, e no fim você vai chegar à conclusão de que ir na academia é mais fácil e barato - quando e se você quiser fazer exercícios.

Playground.
Squeek! Squeek! Squeek!
Alguém aí está ouvindo balanços enferrujados que não deixam ninguém dormir? Eu estou.

Brinquedoteca.
Aquela sala idiota que depois de dois anos só vai ter os brinquedos que nenhuma criança quer. E falem sério, que filho de pessoa especial e exclusiva vai querer esses brinquedos toscos e ainda por cima compartilhar eles com um monte de outras crianças ranhentas e cretinas? Que idéia estúpida.

(Anexo 2: A menos, é claro, que ele escreva um texto excessivamente longo; e talvez nem assim ele possa ser de fato compreendido.)

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Cena 69: Alguns segundos mais tarde, naquele mesmo dia

Estava eu dentro de um veículo com motor de combustão extremamente ineficiente (cujo combustível é fóssil) quando avisto no meio da pista um gato.

"Puxa! Um gato. Que coisa interessante." - dirão alguns.

Bom! Acontece que não era propriamente um gato, mas a carcaça imperfeita daquilo que um dia havia sido um gato (leia o anexo 3).
Entendam, e vejam não o que, mas como eu vi: onde um dia havia estado um cérebro restava um crânio oco.
'Onde estaria este cérebro?' - imediatamente me perguntei. Afinal, se os cérebros pudessem deixar os nossos corpos assim sem mais nem menos, o mundo seria bem mais interessante.
Avistei então o cérebro alguns metros mais adiante. Não todo, é claro, pois parte já devia ter sido arrastada por um pneu, ou por formigas especialmente famintas.
Mas vamos ao que é importante, as orelhas do felino ainda estavam na posição anatômica correta (Veja anexo 4) -
o que me leva a pensar que provavelmente o cérebro tenha saído pelos olhos, mas talvez isso não seja essencial para este texto.

...

...

Lembre-se, pois isto é importante: a posição das orelhas do gato ainda era anatomicamente correta.

...

...

"Mas por que a posição anatomicamente correta das orelhas do gato é importante?" -, você certamente se perguntará (veja o anexo 5).

E eu responderei: "Ora!
Você é humano, carne, osso e sangue vital. Você compartilha com o gato uma especial capacidade de deixar partes suas pelo caminho. Se você não deixar suas orelhas pelo asfalto - ou pelos pneus de algum carro -, você ainda assim pode deixar o seu cérebro." - e assim, querendo o melhor para ti, meu querido leitor, eu completaria: "Mantenha seus braços para dentro do carro. Seu 'status' especial e sua 'exclusividade' se aplicam apenas num nível abstrato. Pois para todos os outros casos, você pode ter braços, pernas, orelhas e cérebro levados a posições anatomicamente incorretas e pouco confortáveis."

(Anexo 3: Aliás, Platão teria problemas para definir este gato. Afinal, seria um gato amassado - representação imperfeita do gato não amassado do mundo das idéias - ou seria um gato amassado - representação imperfeita do gato amassado do mundo das idéias? Uma representação dupla? Oh, que questão importante...)

(Anexo 4: Vejam que uma posição não é mais correta que outra a menos que digamos em que sentido ela está correta. Por exemplo, um cérebro espalhado no meu para-choque não é necessariamente correto anatomicamente [nem para o gato, nem para o carro], mas felizmente pode ser a posição correta para uma boa piada [Veja o anexo 4b].)

(Anexo 4b: A graça da piada, é claro, depende muito da percepção de mundo da pessoa [Anexo 4c].)

(Anexo 4c: A percepção de mundo das pessoas é assunto para outro texto - para quando eu for mais Diógenes do que hoje sou.)

(Anexo 5: Devo me proteger de possíveis falhas. Digo, portanto, que em verdade você apenas se perguntará isso se chegar àquele ponto do texto. Mas na verdade não importa, porque se você não chegar àquela parte do texto, não poderá dizer: "eu cheguei até ali e não me perguntei aquilo".)