Opiniões Proféticas

domingo, setembro 09, 2007

Diógenes - O lugar onde trabalho

Por motivo algum, decidi descrever meu ambiente de trabalho.

1 - Primeiro, descreverei o ambiente onde trabalho: trata-se de um andar inteiro de um prédio - uma sala única e imensa -, onde trabalham cerca de 80 pessoas, todas sentadas em razoáveis espaços chamados de baias. Nas tais baias pode-se encontrar uma mesa, um computador (às vezes rápido, às vezes lento), um monitor (CRT ou LCD, 15 ou 17 polegadas) e um pequeno móvel com duas gavetas pequenas, onde deve-se guardar tudo aquilo que seja valioso e/ou que porventura não se possa deixar à mostra (grampeador, lápis, caneta, fones de ouvido, etc.; todas essas coisas que normalmente são carregadas por gnomos travessos - ainda que bem intencionados - quando não estamos olhando).

Sobre minha mesa, pouco há de notável: não acumulo papéis, nem canetas, nem lápis nem nada; trata-se do ambiente mais limpo e desprovido de personalidade que há de se encontrar por baias e baias a fio. Uma observação mais cuidadosa revelará que o computador que opero é mais veloz que o daquelas baias que estão à minha volta. Enquanto os outros precisam esperar 10 minutos até que suas máquinas liguem, eu não; eu estou já trabalhando. Isso causa certa inveja - afinal, sou um dos funcionários mais novos da empresa.

2 - A maior vantagem de uma pessoa incomum é ver tudo o que os outros não vêem. Sua maior desvantagem é ignorar tudo aquilo que para os outros é óbvio. Se colocássemos um advogado na função de um engenheiro, sem dúvida ao longo do tempo muitas percepções interessantes seriam adquiridas.

3 - Pois na qualidade de pessoa incomum em meu meio (pois ainda penso que eu sou qualquer coisa, menos um tecnólogo), estava eu pensando justamente o quão psicótico nosso trabalho poderia parecer para quem o olhasse de fora. O dia inteiro com os olhos diante de canhões de elétrons, pulando rapidamente entre telas coloridas, inundando o cérebro com contrastes de azul, branco, vermelho, verde e toda cor que se possa imaginar, batendo os dedos frenéticamente num teclado, operando o tal computador.

Talvez eu não tenha desenhado bem a cena: dezenas de pessoas batendos os dedos em teclados, olhando para telas, xingando quimeras invisíveis, matando leões e ameaças intergaláticas no formato de falhas lógicas nas seqüências de dígitos binários que formam todo o mundo digital.

4 - É verdade que muitas pessoas podem operar computadores por horas e horas, mas não se pode confundir a utilização do computador como fim em si mesmo com a utilização do computador como ferramenta de criação de novas ferramentas.

5 - Meus colegas são, sem excessões, pessoas estranhas. Não se engane: a mente que opera um computador doze ou mais horas por dia é uma mente incomum. São pessoas capazes de olhar para uma tela e lê-la inteira numa passada de olhos, pulando de botão em botão, ignorando totalmente qualquer conceito de usabilidade. Pudera - estas pessoas não são usuárias, elas são construtoras, elas estão (ou deveriam estar) acima de questões como "Como se faz isso?"

Gostaria de ler a descrição dos ambientes dos amigos. Atesto que escrever sobre isto é um exercício interessante. :D

1 Comments:

  • At 8:18 PM, setembro 09, 2007, Anonymous Anônimo said…

    Bah,gostei disso.

    Cada tópico que lia...Fui imaginando o teu ambiente de trabalho.

    Ótimo exercício,só não faço o mesmo porque não tenho um trabalho.
    uahauahuahauhua

    mas prometo que assim que começar,irei descrever o meu ambiente.

    abração!

     

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