Opiniões Proféticas

quinta-feira, julho 16, 2009

Conniff - Schadenfreude

Eu poderia falar de gripe suína, de Michael Jackson, dos aviões que não param de cair, mas vou falar do Grêmio.

Nasrudin, mil desculpas. Pode pular este, meu velho! ;).

Ah, sim, antes de começar, estou alterado, culpa do vinho chileno.

Honestamente, não sei direito se gosto de futebol. Tá, sei, eu gosto. No fundo, acho que gosto mesmo é do Grêmio. Agradeço muito ao meu pai por ter me feito gremista. Sem demérito aos outros clubes, por certo, mas não consigo ser um observador imparcial em se tratando de futebol.

Ser gremista é ter o sonho delirante de não conseguir ser outra coisa na vida. A frase é do Santana, caso não me falhe a memória. Sei que o Grêmio é visto como um time como empáfia pelos outros torcedores, sei que ninguém que não é gremista gosta ou tem simpatia pelo Grêmio. Compreendo tudo. Contudo, vejam pelo meu lado! Ser gremista pode ser tudo, menos algo monótono. Se o Grêmio ganha, tenham certeza, fez por merecer. Quando perder sem garra, não cai, despenca. Ser gremista implica engolir ladrões no apito de tempos em tempos, ainda que isso seja outra história.

Uma breve confirmação da minha humilde tese: em 1996, vejam a narração do Galvão do gol do Grêmio contra a Portuguesa e me digam se não é idêntica ao tom de uma narração de um gol da Argentina. 1997 e o silêncio do Maracanã. Luto na imprensa nacional. 2001 e o Kajuru corta o braço. O Milton Neves então eu nem comento. Depois não sabem a razão pela qual o Grêmio meio que se considera Cisplatino.

É bom ter uma pequena parte da nossa vida que seja um verdadeiro épico. Sei eu, temos tantas obrigações no dia a dia que o futebol, para aqueles que gostam, serve como válvula de escape. Não é a primeira vez que falo isso neste blog!

O Grêmio? Ah, o Grêmio.

Semana passada estava triste. Era a final da Libertadores e eu não estava nela. Seria uma grande viagem, eu, meu pai, meu primo e meu tio. Tome vinho. 2007 não estávamos prontos. 2008 foi duro ver aquele monte de aplausos em um Olímpico lotado no último jogo, com o Atlético. Foi ruim não ir ao único jogo que perdemos em casa para o Goiás –aniversário da minha avó-. Agora, 2009 foi foda. Uma pressão horrorosa em um Cruzeiro apavorado, um ippon na área, segue o jogo, dois minutos de bobeira e uma Libertadores posta no lixo. E tome torcida gritando.

Enfim, está feia a coisa neste ano, mais uma vez. Co-irmão é líder. Todo jogo é cara expulso (vejam o que o Thiego me fez hoje!), gol no final, pênalti mandraque, troço horroroso. Grenal no Domingo. Talvez um alento, talvez outra paulada. Estarei lá.

Pior que eu prometi nunca mais duvidar do Grêmio. O sentimento não se termina. Já diria o profeta Baltazar, Deus deve estar reservando algo melhor para o Grêmio.

***
Como brasileiro, acho vergonhoso perder este monte de finais de Libertadores para argentinos. Agora, uma Libertadores é a metáfora do futebol na sua essência. Talvez o que tenha sobrado dele. Daí que, no fundo, embora brasileiro, não posso deixar de ficar feliz ao ver um cara como o Verón, que voltou ao Estudiantes somente para dar uma Copa para seu pai 39 anos depois, levantar a taça. Pobre capitão América, mas não dá, se a torcida não pega junto, se os jogadores não estão pelo prato de comida, não passa.

Las finales se tienen que ganar.

Admito, contudo. Tem uma palavra em alemão para tudo e deve ter uma para isso também: é Schadenfreude. Em minha parca tradução, um sentimento triste, ainda que humano. Permito-o no futebol, tão-somente. Ah, a tradução: “algum tipo de prazer no sofrimento alheio”. Por isso ou não, parabéns Estudiantes, aguante pincha!

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