Diógenes - Plebiscito popular
O texto do colega Conniff me lembra mais uma vez daquela velha história: "o que falta no Brasil é educação. Educação, educação, educação!". Em um país como este, em que a verdade não é a verdade e em que as pessoas não têm vergonha na cara, é realmente difícil discutir qualquer coisa. Não só isso, é difícil levar as pessoas a se indignarem, é difícil convencer as pessoas de que algo está errado... de que algo está REALMENTE errado.
Bom, sobre o plebiscito popular realizado em Porto Alegre... trata-se de uma consulta à população, realizada pela prefeitura de Porto Alegre para decidirmos se pode-se construir prédios residenciais na área do Estaleiro Só.
Algumas informações (o pouco que sei sobre o assunto):
1) A área pertence a uma construtora. Já existe lá a possibilidade de construir prédios comerciais.
2) A construtora ofereceu realizar a rejuvenação da orla, com barzinhos, passeios, cais, etc., recebendo como contrapartida a permissão para construir também (em sua área, não na orla) prédios residenciais.
Resultado do plebiscito: 80% das pessoas votaram negativamente - ou seja, não, não se deve construir prédios residenciais naquela área. O jornal Zero Hora colocou uma chamada em letras garrafais nesse sentido, e diversas pessoas aparecem fazendo uma análise desse "expressivo resultado".
Detalhe: em uma cidade com 1 milhão de habitantes, apenas 18 mil votaram.
Detalhe 2: a empreiteira já decidiu há meses atrás que não iria construir nada na orla, não importava qual fosse o resultado do plebiscito. Como em outros casos (por exemplo, o caso em que o Dado Bier queria fazer uma obra na orla do centro), o governo, com sua burocracia e inflexibilidade, levou os investidores desistirem. É aquela velha história, que já se torna tão comum: "quer saber... fodam-se vocês, não estamos mais interessados em investir em porra nenhuma nessa cidade. Vão tomar no cú."
(Isso é o que eu imagino que um empreiteiro diria se passasse dois anos tentando investir seu dinheiro em uma cidade, encontrando todo tipo de problema... imagine esse dinheiro todo mofando porque um bando de vereadores não gostaram de um detalhe do projeto, ou precisam fazer um plebiscito marcado para daqui a uns 10 meses... quem tem mais do que R$ 50 no banco e gostaria de aplicar em algo útil sabe como é.)
Então, qual deve ser a nossa REAL análise dessa situação?
1) Que o povo não poderia estar se lixando mais para o assunto?
2) Que, se o governo não é capaz de decidir sobre isto, o que dirá nós, que não temos acesso às análises de impacto ambiental, dos efeitos urbanísticos, etc.?
3) De que o governo é incompetente, fraco e lava as mãos por covardia, porque não quer dar munição para a oposição na eleição vindoura?
4) Que as pessoas que foram de fato votar são: i) os ambientalistas e ii) os que vão perder a vista para o Rio/Lago Guaíba?
5) Que uma gigantesca obra urbanística é irrelevante para o plano diretor da cidade, de forma que a decisão pode ser delegada à população, que não entende porra nenhuma de porra nenhuma?
6) Que os nossos jornais são um lixo, que suas informações são desconexas e que as chamadas estão utilizando tamanho de fonte grande demais?
Bom, a minha análise é esta: todas as opções acima. Eu, ao contrário do amigo Conniff, não tenho nenhuma esperança para este mundo. Aliás, sigo acreditando que nada significa nada, e que não existe muito sentido em sequer escrevermos qualquer coisa aqui. Nada importa.
Bom, sobre o plebiscito popular realizado em Porto Alegre... trata-se de uma consulta à população, realizada pela prefeitura de Porto Alegre para decidirmos se pode-se construir prédios residenciais na área do Estaleiro Só.
Algumas informações (o pouco que sei sobre o assunto):
1) A área pertence a uma construtora. Já existe lá a possibilidade de construir prédios comerciais.
2) A construtora ofereceu realizar a rejuvenação da orla, com barzinhos, passeios, cais, etc., recebendo como contrapartida a permissão para construir também (em sua área, não na orla) prédios residenciais.
Resultado do plebiscito: 80% das pessoas votaram negativamente - ou seja, não, não se deve construir prédios residenciais naquela área. O jornal Zero Hora colocou uma chamada em letras garrafais nesse sentido, e diversas pessoas aparecem fazendo uma análise desse "expressivo resultado".
Detalhe: em uma cidade com 1 milhão de habitantes, apenas 18 mil votaram.
Detalhe 2: a empreiteira já decidiu há meses atrás que não iria construir nada na orla, não importava qual fosse o resultado do plebiscito. Como em outros casos (por exemplo, o caso em que o Dado Bier queria fazer uma obra na orla do centro), o governo, com sua burocracia e inflexibilidade, levou os investidores desistirem. É aquela velha história, que já se torna tão comum: "quer saber... fodam-se vocês, não estamos mais interessados em investir em porra nenhuma nessa cidade. Vão tomar no cú."
(Isso é o que eu imagino que um empreiteiro diria se passasse dois anos tentando investir seu dinheiro em uma cidade, encontrando todo tipo de problema... imagine esse dinheiro todo mofando porque um bando de vereadores não gostaram de um detalhe do projeto, ou precisam fazer um plebiscito marcado para daqui a uns 10 meses... quem tem mais do que R$ 50 no banco e gostaria de aplicar em algo útil sabe como é.)
Então, qual deve ser a nossa REAL análise dessa situação?
1) Que o povo não poderia estar se lixando mais para o assunto?
2) Que, se o governo não é capaz de decidir sobre isto, o que dirá nós, que não temos acesso às análises de impacto ambiental, dos efeitos urbanísticos, etc.?
3) De que o governo é incompetente, fraco e lava as mãos por covardia, porque não quer dar munição para a oposição na eleição vindoura?
4) Que as pessoas que foram de fato votar são: i) os ambientalistas e ii) os que vão perder a vista para o Rio/Lago Guaíba?
5) Que uma gigantesca obra urbanística é irrelevante para o plano diretor da cidade, de forma que a decisão pode ser delegada à população, que não entende porra nenhuma de porra nenhuma?
6) Que os nossos jornais são um lixo, que suas informações são desconexas e que as chamadas estão utilizando tamanho de fonte grande demais?
Bom, a minha análise é esta: todas as opções acima. Eu, ao contrário do amigo Conniff, não tenho nenhuma esperança para este mundo. Aliás, sigo acreditando que nada significa nada, e que não existe muito sentido em sequer escrevermos qualquer coisa aqui. Nada importa.

