Opiniões Proféticas

quarta-feira, setembro 15, 2010

Diógenes - Solium Infernum (parte 1)

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Olá, meus amigos.

Comecei a jogar um jogo de computador muito interessante. Trata-se do jogo Solium Infernum, onde se assume o papel de um demônio que disputa o trono do inferno!

O jogo em si é semelhante a um jogo de estratégia de tabuleiro. A cada turno, podemos realizar um determinado número de tarefas, por exemplo, mover legiões ou enviar insultos aos oponentes.

Recentemente decidi jogar uma partida multiplayer com dois camaradas. Nesta modalidade, os turnos são enviados aos oponentes por e-mail, então o jogo deverá se estender por um ou dois meses.

Como o blog está meio parado, resolvi fazer um diário da minha partida. Sr. Coniff, conto com seu apoio para traçar boas estratégias para esta guerra.

Início

A primeira tarefa neste jogo é criar um avatar - o demônio com o qual tentarei tomar o trono do inferno. Este é o meu avatar, que chamei de Saulot.


Para criá-lo, tomei algumas decisões estratégicas. Primeiro, eu o fiz carismático, para que possa acumular tributos mais facilmente. Tributos são essenciais para realizar rituais demoníacos, pagar legiões, pretores, etc.

Segundo, e mais importante, é as seguintes palavras: "King maker". Trata-se de uma característica positiva extremamente custosa, que consome quase todos os pontos que posso utilizar para criar meu personagem. Com a característica King maker, eu escolho algum outro jogador e, se aquele jogador vencer o jogo, na verdade, EU venço o jogo. Mais sobre isto, mais adiante.

Terceiro, meu personagem é um Marquês do inferno. Acima dele estão Princípes e Duques, e abaixo, Barões e Lordes do inferno. Ou seja, uma posição social mediana. Esta posição social é importante para a diplomacia. Por exemplo, quando um príncipe é insultado por um marquês, o impacto é muito menor do que, digamos, quando um marquês insulta outro marquês.

Quarto, para fechar o custo do meu personagem, tive que pegar uma característica negativa, "Slothful", ou seja, preguiçoso. Tal característica faz com que minha legiões se desloquem apenas um hexágono por turno, ao invés do normal, que é dois hexágonos. Isto já quase determina que eu não vou passear muito com as minhas legiões, pois isto seria extremamente ineficiente.

Após criar meu personagem, enviei o arquivo por e-mail para o "host" do jogo, ou seja, para o camarada que está organizando a distribuição dos arquivos do jogo.

Fast forward. Próximo dia.

Turnos 1 e 2

No dia seguinte, recebo a resposta. Trata-se do primeiro turno, enviado pelo host. Para minha surpresa (mas não tanta), o turno vem acompanhado de um "flavor text", que reproduzo abaixo.

"Dementia, rainha do inferno, foi devorada por uma de suas muitas crias, Sangricius. Por seu ato contra a corte, Sangricius foi condenado ao banimento no abismo. Não que irá fazer a menor diferença para tal criatura pois a prole de Dementia, apesar de ter o sangue mais poderoso do inferno em suas veias, é incapaz de pensar ou raciocinar.

Dessa forma foi reconstituído O Conclave, um órgão formado por representantes das casas mais nobres que tem como atribuição comandar o inferno na ausência de um líder enquanto escolhe um novo governante. O caminho correto seria apontar uma das crias de Dementia, porém se tornou pacífico entre os membros do Conclave que tais seres tolos e bestiais não eram aptos para tal tarefa.

Um ar de apreensão dominou Pandemonium, capital do inferno, pois o Conclave não possuía um nome incontestado para governar. Apreensão para uns, oportunidade para outros..."

Interessante. Abro o arquivo do turno, dentro do jogo Solium Infernum, e vejo o mapa:


Notem que o mapa é contínuo; de forma que a borda direita está "colada" na borda esquerda, e a borda inferior "colada" na superior. Para facilitar a visualização, marquei com um quadrado (em cinza) o tabuleiro. Ao redor disto, notem que as coisas se repetem.

Pois bem. Para o nordeste de minhas terras (que marquei em vermelho) está uma ilha que separa as terras de Tsotha-Lanti (em azul) e Thundersteel (em verde), os outros dois demônios que participarão desta guerra. No sul se vê uma imensa planície, marcada apenas por alguns pântanos e por algumas montanhas intransponíveis.

Um dos objetivos deste jogo é tomar os chamados "Lugares de Poder" (Places of Power), que a cada turno conferem "Prestígio" aos jogadores que os possuem. De fato, o vencedor deste jogo é aquele que, ao final de cerca de 60 turnos, tiver a maior quantidade de pontos de Prestígio. Não só isso, Prestígio é a moeda utilizada para fazer ações diplomáticas, como exigir tributos dos oponentes, enviar insultos, etc.

Seria legal dominar alguns Lugares de Poder (LdP). No entanto, se vocês observarem o mapa, eu estou razoavelmente distante de todos os LdP, que são os hexágonos ocupados por monumentos como torres, árvores, etc. E eu estou ainda mais distante dos LdPs do que meus oponentes imaginam, pois devemos lembrar que minhas legiões só se deslocam a um hexágono por turno, porque Saulot é preguiçoso.

Aliás, quem são meus oponentes?

Tsotha-Lanti é um marquês do inferno, como eu. No entanto, ele parece ter tido um pouco de azar com sua legião inicial, que é mais fraca do que a minha. Conhecendo este jogador, ele terá colocado alguns pontos em "Cunning / Deceit", que é a característica que permite sacanear os demais jogadores - roubar tributos, subornar pretores, e por aí vai. No entanto, se ele é apenas um marquês, no que terá colocado todos os seus outros pontos...? Estou curioso. Sei que este cara é paciente e, por isso, perigoso. Tenho que tomar cuidado.

Thundersteel é um duque do inferno, superior a mim em status no inferno. Além disso, o status confere um bônus na criação da legião inicial. Pois a legião dele deve ter recebido um belo bônus, pois ela é mais poderosa do que a minha, e MUITO mais poderosa do que a legião de Tsotha-Lanti. Eu realmente não sei no que ele pode ter gastado seus pontos de personagem, mas vou chutar que é um demônio caristmático (para ganhar tributos) e marcial (para utilizar "cartas de combate", que são coringas que podem ser adicionados a uma legião antes do combate). Não sei se ele será um bom jogador, mas trata-se de um cara inteligente, que já começou com uma arma superior nas mãos... Cuidado, Saulot. Cuidado.

Pois bem. Diante destes dados, eu decido que não vou levar minhas tropas a lugar algum. Não seria construtivo perder tempo fazendo isso. Ao invés disto, decido acumular tributos, que poderei utilizar no futuro para comprar novas legiões e, quem sabe, aumentar as características do meu demônio.

Lembrem-se, eu estou jogando a longo prazo. Sou um King maker e, por isso, não preciso vencer. Só preciso me assegurar de que Tsotha-Lanti vença a guerra. Para tanto, preciso me tornar poderoso - poderoso o suficiente para influenciar os rumos da guerra. E então, EU subirei ao trono.

Minha preocupação, por enquanto, é que Tsotha-Lanti pode tentar roubar minhas cartas de tributos. Isto seria terrível, pois eu ficaria totalmente sem defesa. Preciso aumentar meu nível na habilidade "Prophecy", que ajuda na defesa contra ataques de "Deceit".

Uma segunda preocupação é que Thundersteel pode começar a me insultar e/ou fazer exigências, e eu poderia fazer muito pouco para me defender, já que ele possui uma legião mais poderosa. Além disso, logo no primeiro turno alguém comprou o artefato demoníaco "Infernal Engine", que confere +2 em ranged, melee e infernal, os três atributos que determinam o poder de uma legião. Se for Thundersteel quem comprou tal artefato, então o problema apenas aumentou...

No segundo turno, eu continuei acumulando tributos. Tsotha-Lanti começou a deslocar sua legião na direção de um Lugar de Poder na planície ao sudeste das minhas terras, e Thundersteel move sua legião para o sudoeste, também para a planície...

Enviei então o seguinte "flavor text", descrevendo meu demônio:

A poeira cinzenta levantada pelos ventos uivantes do inferno logo ficou para trás.


Kobal, demônio da zombaria, abriu o pesado portão de pedra e adentrou ruidosamente o grande salão de audiências da pirâmide de Saulot - uma câmara sombria demais, e grande demais também, considerando-se o tamanho da construção. Tudo ali lhe desagradava. Pois se a fortaleza fosse sua, o espaço seria melhor utilizado. Teria amplas salas de tortura e muitas alas para alojar soldados. Faria deste templo de vaidades e aparências uma verdadeira fortaleza.


Talvez esta fortaleza ainda fosse sua... Talvez. Algum dia.


Saulot, o amaldiçoado por Aquele acima, estava sentado no trono dourado que pertencera ao anjo da morte, Samael... Como sempre estava. E o quão entediado ele parecia estar, desfalecido, com o rosto apoiado em um punho.


"- Meu Senhor, Dementia não é mais rainha." - anunciou Kobal após limpar a garganta, atento para a reação de seu Senhor. Seus olhos percorriam o rosto e o corpo esverdeado de Saulot, como se o estivesse medindo, avaliando.


"- Ah...?" - respondeu o Marquês do inferno, com uma expressão que era um misto de tédio e escárnio.


"- Ela foi devorada por Sangricius. Como esperado, ouso dizer. Ela foi uma tola. Se deixou ser consumida durante uma relação incestuosa. Muito sangrento, muito sujo... Muito feio, sim, sim." - comentou Kobal, sorrindo com seus dentes tortos e mal-formados, seu olhar pairando no nada, apenas balançando a cabeça afirmativamente para si mesmo, divertindo-se com seus pensamentos... Nervoso.


Saulot ergueu o rosto, até então apoiado sobre o punho, e por um instante se poderia jurar que estava a um passo de se jogar como uma fera sobre Kobal, para arrancar o sorriso de seu rosto e matá-lo. No entanto, ele se deixou deslizar languidamente pelo trono dourado, suspirando, como se o ato de se mover fosse extremamente desconfortável. Seus olhos fitaram os de Kobal, fulminantes.


"- Ora, não seja insolente. A vaca-mãe podia ser obscena e, dizem, louca, mas EU sei a verdade. Ela podia ser qualquer coisa, menos tola." - Saulot fechou os olhos, como que lembrando de algo, e então voltou a abri-los, sua voz crescendo, assim como sua raiva. "- Obviamente, alguém descobriu que ela era para mim um afrodisíaco... Que ela vinha aqui para voluptuosamente descansar sua cabeça no meu colo, para me falar por horas e horas as palavras incompreensíveis que outros, verdadeiros tolos, diriam ser as semente da loucura. Alguém decidiu agir de forma grosseira! Para quebrar meu brinquedinho!"


Aquelas palavras ecoaram pelo salão, e um longo silêncio persistiu. Mas Kobal novamente quebrou o silêncio.


"- Meu Senhor, eu compreendo que você está muito chocado e enternecido por es..." - dizia Kobal até ser interrompido.


"- Cuidado, 'verme' da zombaria... Cuidado." - rosnou Saulot.


"- Me perdoe, Meu Senhor. Não foi minha intenção, absolutamente, ser desrespeitoso com Vossa Obscurecência. Eu queria apenas lembrá-lo que esta situação, apesar de muito trágica, oferece uma grande oportunidade. E por que não marchar para Pandemonium com vossas insuperáveis legiões e tomar o Conclave de assalto?" - sugeriu, sorridente, o demônio da zombaria.


Subitamente, Saulot arremessou um cálice na direção de Kobol, que cobriu o rosto com as mãos e gemeu como uma menininha.


"- Seu idiota! Não é assim que as coisas funcionam. Você acha que Thundersteel e Tsotha-Lanti ficariam parados? Teríamos então exércitos diante dos nossos portões, apunhalando-se noite a dentro nesta noite perpétua que paira sobre inferno. Não, seu idiota! O decoro deve ser observado. A ordem deve ser mantida!

Eu aprendi sobre a corte celestial e a corte infernal, sobre a luta que traz equilíbrio ao mundo. Eu aprendi sobre a Grande Roda dos Tempos, com a qual seguimos de eras iluminadas, no topo da Roda, para eras mais brutais e sombrias, na parte inferior da Roda. E lá, no final do grande ciclo, caíremos na total escuridão, no horror que durará um milênio.

Naquele ponto, o mundo poderá parar, se a Roda for tirada de seu caminho... A escuridão poderá reinar até o fim dos tempos. Ou então, se as forças do bem puderem mitigar o poder infernal, ou encontrarem uma maneira de superá-lo, a grande Roda voltará a girar, subindo novamente para eras mais iluminadas, até atingir o intolerável 'paraíso', no topo.

Os tolos que se orgulham de seu estado 'iluminado' tentam fazer a Roda girar; no entanto, eles não fazem qualquer plano para além desta era. Eu não cometi tal erro. Por isto, por APENAS isto fui enviado ao inferno. Mas se estou condenado, que seja grande a minha depravação. Eu tomarei tudo para mim mesmo. Eu irei levar a Grande Roda na direção do colapso e cairei sobre o mundo com um punho de ferro e chicotes de fogo. Eu serei discreto em meus planos e circunspecto nas minhas negociações.

No entanto, uma dose de inteligência, qualidade que lhe falta, se faz necessária. Agora deixe-me sozinho, antes que sua estupidez contamine meus planos." - rosnou Saulot.


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É isso. Farei um novo texto para este diário quando chegarmos ao Turno 11, contando sobre o intervalo entre o Turno 2 e o Turno 11. Até lá!